Por ela é que eu faço o palhaço

31 janeiro 2006

Vida de recém-nascido

Ai, que soninho...


Dia 25 da minha existência. Diário de bordo: quero voltar pra barriga da minha mãe. Aquilo que era vida. Temperatura constante, e perfeita. Nada parecido com esse calor infernal do Rio de Janeiro. Fora que é um tal de liga o ar condicionado, fica fresquinho, aí um acha que tá frio demais pra mim - e as vezes tá mesmo - desliga o ar, fica aquele calor de novo, me botam no berço, começo a suar, ligam o ar de novo... Comida também não era problema: aquela sonda ligada direto no meu umbigo, como era mesmo que eles chamavam? cordão, isso. Nem sabia o que era fome. Agora eu tenho que abrir o berrador pra avisar que precisam fazer a comida. Às vezes demora, e eu não tô acostumada a ficar esperando comida não. Outras vezes demoram pra se darem conta de que o que eu quero é mais leite, e que não adianta ficar me balançando como se eu fosse um chocalho de escola de samba que eu não vou desligar a sirene enquanto não entucharem uma boa mamadeira na minha boca. Pois é, como voces podem ver, vida de recém nascido não é essa moleza toda. Mas não tem jeito, parece que todo mundo passa por isso, uma tal de Fase de Adaptação... Vá lá. Me prometeram que depois melhora. Já tô louca pra chegar na parte do passeio de carrinho na Lagoa. Afinal, diz-se, a vida boa só começa aos quarenta. Quarenta dias...